

Da Antiguidade grega à contemporaneidade, a noção de práxis fez um longo percurso na história da filosofia. Em comum aos diversos tempos desse itinerário, perseveram a articulação entre teoria e prática e o aspecto teleológico da ação humana. Aristóteles designará a práxis como a ação propriamente humana na qual se realiza a vida ética do agente. O Renascimento e a Modernidade enfatizaram seu aspecto de atividade transformadora do homem sobre o mundo, sobretudo por meio do trabalho, até que Hegel formulou a práxis como unidade entre teoria e prática, reconhecendo-a como dimensão constitutiva da realização humana. Em termos gerais, pode compreender-se “práxis” como uma ação orientada por um saber, na qual teoria e prática se implicam de modo que a própria ação transforma o mundo e aquele que a realiza.
Lacan também recorre à noção de práxis, mas lhe atribui um sentido próprio. No Ato de Fundação, afirma que “a ética da psicanálise é a práxis de sua teoria” e, no Seminário 11, após defini-la como “ação realizada pelo homem que o põe em condição de tratar o real pelo simbólico”, acrescenta: “nenhuma práxis, mais do que a psicanálise, é orientada para aquilo que, no coração da experiência, é o núcleo do real”. Tais perspectivas implicam que ética e teoria psicanalíticas não são exteriores à clínica, mas indissociáveis da experiência que a sustenta. É nesse tensionamento permanente que a psicanálise se exerce e se transmite. Destaque-se, ainda, que a orientação para o real contrasta com aquela tradicionalmente pleiteada pela filosofia para orientar uma práxis, a saber, uma finalidade positiva, como o Bem em Aristóteles ou a Liberdade, em Hegel. Ao propor tal orientação, Lacan estabelece que a ética da psicanálise não pode ser pensada como a realização progressiva de um ideal ou como promessa de normalização ou de felicidade.
Tomando essa formulação como eixo, a XXV Jornada do Fórum do Campo Lacaniano de Fortaleza propõe um espaço de trabalho em torno das consequências clínicas, éticas e políticas de uma práxis orientada para o real. Em um contexto histórico marcado pela valorização crescente das ditas “evidências científicas” e pelo empuxo aos demais discursos, nossa Jornada convida ao debate sobre o que singulariza a experiência analítica: uma ética inseparável da práxis e da orientação para o real que lhe é inerente.
Convidada: Anita Izcovich, AME EPFCL, membro da EPFCL- França
Datas: 18 e 19 de dezembro de 2026
Local: Auditório do Shopping Del Paseo
Coordenação: Osvaldo Costa Martins
Contato: 85 988969907
Formulário para inscrição: